fernando de noronha

Parque Nacional Marinho de Fernando de Noronha

sem título.bmp (284334 bytes) Vista aérea da ilha de Fernando de Noronha - principal do arquipélago - com a Ilha Cabeluda em primeiro plano, na parte de baixo à direita, e a baía de Sueste ao centro, no lado da ilha que dá para o oceano Atlântico (o chamado "mar de fora"); a pista do aeroporto corta a ilha mais acima na foto, e o Morro do Pico (ponto mais alto do arquipélago com 325 m) aparece ao fundo, junto ao "mar de dentro" (lado da il ha que dá para o continente)

    Ao contrário do que muitos pensam, não é fácil chegar a Fernando de Noronha por mar. Apenas embarcacões cargueiras—não autorizadas para o transporte de passageiros—fazem a rota continente-arquipélago. A solução é o avião.
    A entrada e permanência na ilha dependem do preenchimento de uma "Guia de Encaminhamento do Visitante" e do recolhimento da "Taxa de Preservação Ambiental", um valor que recai progressivamente sobre o número de dias em Noronha. Convém entrar previamente em contato com o governo local para checar o valor e avisar o período de visitação desejado.
     A taxa de preservação ambiental, cobrada pelo governo de Pernambuco, é um instrumento para disciplinar o período de permanência na ilha e evitar a fixação de novos habitantes. Na verdade, é uma taxa de visitação que não reverte para o parque mas para o estado. O IBAMA vem solicitando a participação de 60% no volume arrecadado já que está impedido de cobrar taxa de visitação como outras unidades de preservação.
   O PARNA vive com recursos do IBAMA e do Instituto Pró-Noronha.
   Cabe destacar que a ilha dispõe de uma limitada capacidade para receber pessoas. O IBAMA mantém um controle das guias de visitação. Sabe instantaneamente quando o limite de ocupação da ilha está sendo atingido, podendo tomar as medidas restritivas à visitação.
  Ainda no aeroporto, o visitante recebe um material informativo, folders e saco para lixo, tendo o primeiro contato com as normas do PARNA e com o trabalho que vem sendo realizado em todo o arquipélago.
   A vida na ilha sempre foi afetada pela atividade humana. No entanto a parte marinha, ponto alto do parque, está intacta. O trabalho do IBAMA adquire caráter preventivo que se baseia na educação (de ilhéus e visitantes) e na fiscalizacão.
  Agentes espalhados pelo arquipélago controlam as porções em terra e em mar. O grupo vem implementando o plano de manejo buscando integrar a comunidade e regular as atividades humanas aos padrões adequados. Conta com a aprovação e participação da populacão que colabora em mutirões e cobra quando algo não está bom.

noronha2.jpg (44108 bytes) O IBAMA vem contendo algumas atividades consideradas prejudiciais como a captura de lagostas. Os pescadores foram catalogados, áreas para a pesca foram definidas. Pela regra, ninguém pode entrar na lista de pessoas que originalmente executavam este tipo de pesca. Mais importante: caso uma destas pessoas deixe a atividade, mesmo que temporariamente, perde automática e definitivamente o direito a exercê-la. Segundo o próprio diretor do parque, Heleno Armando, o número de pescadores já diminuiu e atualmente apenas oito pessoas desenvolvem esta atividade.

    Os resultados aparecem. Com pescadores cadastrados e a pesca "nociva" controlada, a vida em Fernando de Noronha gira cada dia mais em torno da preservação.
   O turismo vem se tornando a principal fonte de renda. Já existem mais de 40 pousadas administradas por famílias que gradualmente substituem suas atividades por ocupações relacionadas à prestação de serviços aos turistas. Esta migração de atividade econômica faz parte de um projeto de eliminação gradual das práticas extrativas prejudiciais.
   Na sede do parque ocorrem palestras de segunda a quinta às 20h30. A cada noite, um assunto diferente e interessante: o parque, golfinhos, TAMAR, flora e fauna do local. A abordagem dos temas busca a educação ambiental, estando de acordo com a postura adotada pela administração local, ou seja: prevenção dos problemas.
   Uma vez por semana, através de programa de rádio, a diretoria do parque divulga seus planos, apresenta as ocorrências negativas e recebe sugestões/reclamações dos ilhéus. Este programa vem se constituindo em um dos principais canais de interação entre o IBAMA e a comunidade. Além deste programa e dos mutirões para limpeza e recuperação de áreas específicas, o parque promove as "férias ecológicas" que visam aproximar os estudantes à realidade do arquipélago.
   Comparando com outras unidades, este parque está bem equipado. Dispõe de lancha veloz—que é também utilizada na fiscalização do Atol das Rocas e no programa de Defesa da Lagosta—uma toyota, uma moto e um ônibus. A sede está bem montada, com computador, sala de projeções (slides e vídeo) e palestras. Todo este material foi herdado quando o arquipélago passou do controle do governo federal para o estadual.
    O grupo responsável por este parque vem agindo dentro do Plano de Manejo com resultados muito satisfatórios. Apreciei bastante o período que permaneci em Noronha, tanto pela beleza local como pela atuação das pessoas envolvidas na preservação. Acredito que o bom resultado verificado deva-se também ao fato da maioria dos funcionários serem ilhéus e sentirem a necessidade de cuidar do local, como os demais habitantes, além do âmbito estritamente profissional.
   O nível de consciência quanto à preservação ambiental é grande entre a população local. Isso se deve ao trabalho desenvolvido pelo IBAMA e pelas próprias características da ilha: por ser um ambiente "fechado" os indivíduos sentem rapidamente os efeitos de qualquer acontecimento que altere a rotina do meio. A população sabe que atacar o meio ambiente prejudica a qualidade de vida e afasta o turista.
   Não se empolgue! O parque e o arquipélago—é difícil citar um sem referir-se ao outro—convivem com muitos problemas, todos relacionados direta ou indiretamente à ação humana ao longo da história local.
  Nos períodos de ilha-presídio as árvores foram sistematicamente cortadas. Os guardas temiam que os presidiários utilizassem a madeira na construção de barcos que serviriam para fuga. Hoje apenas a região da ponta da Sapata conserva a mata original.
  O homem introduziu diversas espécies que comprometeram a originalidade da ilha. Primeiro foram as cabras levadas como garantia de alimentação. Hoje, estão espalhadas pela ilha devorando tudo que encontram pela frente, inclusive galhos e troncos de árvores.
  A jitirana, uma espécie vegetal "trepadeira", foi levada por algum antigo visitante ou morador. Espalhou-se pela vegetação nativa, sufocando espécies de pequeno porte. Pior: a jitirana é urna verdadeira praga, impossível de ser erradicada uma vez que suas sementes ficam muitos anos no solo, sem germinar.
  A introdução do lagarto teju constituiu-se em outro episódio da equivocada interferência humana em Fernando de Noronha. Exemplares foram levados com o objetivo de exterminar os ratos que proliferavam por lá. Mas ratos parecem não constar no cardápio dos lagartos (mesmo porque uma espécie tem hábitos noturnos, contrariamente aos hábitos diurnos da outra), de tal modo que os lagartos acabam por predar os ovos de aves e tartarugas que, até então, viviam muito bem obrigado. Apenas para concluir a historinha, a existência de ratos na ilha também é responsabilidade dos homens—que lhes dão carona nos barcos e navios desde os tempos coloniais.
   As interferências não se limitam às espécies vivas. As obras de engenharia causaram e ainda causam grandes impactos. O enorme molhe de pedras que serve como porto foi feito com pedras da ilha. Apesar de belo, não deixa de violentar a beleza natural, sem contar os impactos sobre a área onde os blocos foram retirados. O mesmo se aplica à pista de pouso, ao açude, ao ferro-velho, à rodovia federal e às casas. Mas talvez não devamos ser tão radicais...
  A presença humana no arquipélago é uma realidade que não pode ser negada. Foi considerada no momento da estruturação do parque; é levada em conta a todo momento. Isto não significa afirmar que as atividades humanas não causem mais problemas. Pelo contrário, o tamanho da ilha e a escassez de recursos evidenciam as limitações do espaço quanto ao número de habitantes e visitantes.
  O acúmulo de lixo vem esgotando o depósito da ilha. O governo e o IBAMA estudam a possibilidade de mandar o lixo para o continente e solicitam que se evite o uso de artigos feitos de plástico. Duas praias recebem esgoto—Biboca e Boldró. Confesso jamais ter visto praias "sujas" táo limpas. Para conservá-las está sendo construída uma estação de tratamento.
  Os recursos devem ser utilizados de forma criteriosa, sem desperdícios. A populaçáo convive com o racionamento e os visitantes devem se adequar à realidade. Um rígido controle limita a imigração evitando um aumento acentuado na população fixa. O número de acomodações (250), as dificuldades de acesso mantêm o número de visitantes dentro da faixa aceitável.
  O abastecimento de água depende da captação da chuva. Este é um dos limitadores da presença humana pois a água é racionada, de acordo com os níveis do açude Xaréu. A energia elétrica provém do petróleo e também sofre controle. Assim, não se iluda com acomodações com ar condicionado e ventiladores pois boa parte do dia eles estarão inativos.
  Algumas empresas de turismo organizam cruzeiros que incluem Fernando de Noronha no roteiro. São caros e impactam a ilha. O turismo em larga escala é uma ameaça. Criar grandes hotéis prejudicaria a estrutura socioeconômica da ilha (boa parte da população já vive do turismo) e comprometeria a qualidade do meio ambiente (falta de infra-estrutura). Visitas de transatlânticos e grandes grupos de turistas devem ser planejadas de forma bastante criteriosa para que não ocorram desequilíbrios. Devem ser regradas pelos interesses da ilha.

História

   A história do arquipélago é conturbada. Descoberto em 1500 por Américo Vespúcio, em 1504 foi doada em forma de capitania hereditária a Fernando de Noronha, nobre português.
   Sofreu sucessivas invasões, passando por mãos holandesas, inglesas e francesas, até que em 1737 os franceses foram expulsos pela capitania de Pernambuco. Então, ergueram-se dez fortificações—dentre as quais o Forte dos Remédios— com o objetivo de garantir a posse das ilhas. Com o passar do tempo, o aparato militar foi utilizado também como presídio comum e de prisioneiros políticos.

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Última atualização:01 de Agosto 2000