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Parque Nacional Marinho de Fernando de Noronha
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Ao contrário do que muitos pensam, não é
fácil chegar a Fernando de Noronha por mar. Apenas embarcacões cargueirasnão
autorizadas para o transporte de passageirosfazem a rota continente-arquipélago. A
solução é o avião.
A entrada e permanência na ilha dependem do preenchimento de uma
"Guia de Encaminhamento do Visitante" e do recolhimento da "Taxa de
Preservação Ambiental", um valor que recai progressivamente sobre o número de dias
em Noronha. Convém entrar previamente em contato com o governo local para checar o valor
e avisar o período de visitação desejado.
A taxa de preservação ambiental, cobrada pelo governo de
Pernambuco, é um instrumento para disciplinar o período de permanência na ilha e evitar
a fixação de novos habitantes. Na verdade, é uma taxa de visitação que não reverte
para o parque mas para o estado. O IBAMA vem solicitando a participação de 60% no volume
arrecadado já que está impedido de cobrar taxa de visitação como outras unidades de
preservação.
O PARNA vive com recursos do IBAMA e do Instituto Pró-Noronha.
Cabe destacar que a ilha dispõe de uma limitada capacidade para receber
pessoas. O IBAMA mantém um controle das guias de visitação. Sabe instantaneamente
quando o limite de ocupação da ilha está sendo atingido, podendo tomar as medidas
restritivas à visitação.
Ainda no aeroporto, o visitante recebe um material informativo, folders e saco para
lixo, tendo o primeiro contato com as normas do PARNA e com o trabalho que vem sendo
realizado em todo o arquipélago.
A vida na ilha sempre foi afetada pela atividade humana. No entanto a parte
marinha, ponto alto do parque, está intacta. O trabalho do IBAMA adquire caráter
preventivo que se baseia na educação (de ilhéus e visitantes) e na fiscalizacão.
Agentes espalhados pelo arquipélago controlam as porções em terra e em mar. O
grupo vem implementando o plano de manejo buscando integrar a comunidade e regular as
atividades humanas aos padrões adequados. Conta com a aprovação e participação da
populacão que colabora em mutirões e cobra quando algo não está bom.
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O IBAMA vem contendo algumas atividades consideradas prejudiciais como a captura de lagostas. Os pescadores foram catalogados, áreas para a pesca foram definidas. Pela regra, ninguém pode entrar na lista de pessoas que originalmente executavam este tipo de pesca. Mais importante: caso uma destas pessoas deixe a atividade, mesmo que temporariamente, perde automática e definitivamente o direito a exercê-la. Segundo o próprio diretor do parque, Heleno Armando, o número de pescadores já diminuiu e atualmente apenas oito pessoas desenvolvem esta atividade. |
Os resultados aparecem. Com pescadores
cadastrados e a pesca "nociva" controlada, a vida em Fernando de Noronha gira
cada dia mais em torno da preservação.
O turismo vem se tornando a principal fonte de renda. Já existem mais de 40
pousadas administradas por famílias que gradualmente substituem suas atividades por
ocupações relacionadas à prestação de serviços aos turistas. Esta migração de
atividade econômica faz parte de um projeto de eliminação gradual das práticas
extrativas prejudiciais.
Na sede do parque ocorrem palestras de segunda a quinta às 20h30. A cada
noite, um assunto diferente e interessante: o parque, golfinhos, TAMAR, flora e fauna do
local. A abordagem dos temas busca a educação ambiental, estando de acordo com a postura
adotada pela administração local, ou seja: prevenção dos problemas.
Uma vez por semana, através de programa de rádio, a diretoria do parque
divulga seus planos, apresenta as ocorrências negativas e recebe sugestões/reclamações
dos ilhéus. Este programa vem se constituindo em um dos principais canais de interação
entre o IBAMA e a comunidade. Além deste programa e dos mutirões para limpeza e
recuperação de áreas específicas, o parque promove as "férias ecológicas"
que visam aproximar os estudantes à realidade do arquipélago.
Comparando com outras unidades, este parque está bem equipado. Dispõe de
lancha velozque é também utilizada na fiscalização do Atol das Rocas e no
programa de Defesa da Lagostauma toyota, uma moto e um ônibus. A sede está bem
montada, com computador, sala de projeções (slides e vídeo) e palestras. Todo este
material foi herdado quando o arquipélago passou do controle do governo federal para o
estadual.
O grupo responsável por este parque vem agindo dentro do Plano de
Manejo com resultados muito satisfatórios. Apreciei bastante o período que permaneci em
Noronha, tanto pela beleza local como pela atuação das pessoas envolvidas na
preservação. Acredito que o bom resultado verificado deva-se também ao fato da maioria
dos funcionários serem ilhéus e sentirem a necessidade de cuidar do local, como os
demais habitantes, além do âmbito estritamente profissional.
O nível de consciência quanto à preservação ambiental é grande entre a
população local. Isso se deve ao trabalho desenvolvido pelo IBAMA e pelas próprias
características da ilha: por ser um ambiente "fechado" os indivíduos sentem
rapidamente os efeitos de qualquer acontecimento que altere a rotina do meio. A
população sabe que atacar o meio ambiente prejudica a qualidade de vida e afasta o
turista.
Não se empolgue! O parque e o arquipélagoé difícil citar um sem
referir-se ao outroconvivem com muitos problemas, todos relacionados direta ou
indiretamente à ação humana ao longo da história local.
Nos períodos de ilha-presídio as árvores foram sistematicamente cortadas. Os
guardas temiam que os presidiários utilizassem a madeira na construção de barcos que
serviriam para fuga. Hoje apenas a região da ponta da Sapata conserva a mata original.
O homem introduziu diversas espécies que comprometeram a originalidade da ilha.
Primeiro foram as cabras levadas como garantia de alimentação. Hoje, estão espalhadas
pela ilha devorando tudo que encontram pela frente, inclusive galhos e troncos de
árvores.
A jitirana, uma espécie vegetal "trepadeira", foi levada por algum
antigo visitante ou morador. Espalhou-se pela vegetação nativa, sufocando espécies de
pequeno porte. Pior: a jitirana é urna verdadeira praga, impossível de ser erradicada
uma vez que suas sementes ficam muitos anos no solo, sem germinar.
A introdução do lagarto teju constituiu-se em outro episódio da equivocada
interferência humana em Fernando de Noronha. Exemplares foram levados com o objetivo de
exterminar os ratos que proliferavam por lá. Mas ratos parecem não constar no cardápio
dos lagartos (mesmo porque uma espécie tem hábitos noturnos, contrariamente aos hábitos
diurnos da outra), de tal modo que os lagartos acabam por predar os ovos de aves e
tartarugas que, até então, viviam muito bem obrigado. Apenas para concluir a historinha,
a existência de ratos na ilha também é responsabilidade dos homensque lhes dão
carona nos barcos e navios desde os tempos coloniais.
As interferências não se limitam às espécies vivas. As obras de
engenharia causaram e ainda causam grandes impactos. O enorme molhe de pedras que serve
como porto foi feito com pedras da ilha. Apesar de belo, não deixa de violentar a beleza
natural, sem contar os impactos sobre a área onde os blocos foram retirados. O mesmo se
aplica à pista de pouso, ao açude, ao ferro-velho, à rodovia federal e às casas. Mas
talvez não devamos ser tão radicais...
A presença humana no arquipélago é uma realidade que não pode ser negada. Foi
considerada no momento da estruturação do parque; é levada em conta a todo momento.
Isto não significa afirmar que as atividades humanas não causem mais problemas. Pelo
contrário, o tamanho da ilha e a escassez de recursos evidenciam as limitações do
espaço quanto ao número de habitantes e visitantes.
O acúmulo de lixo vem esgotando o depósito da ilha. O governo e o IBAMA estudam a
possibilidade de mandar o lixo para o continente e solicitam que se evite o uso de artigos
feitos de plástico. Duas praias recebem esgotoBiboca e Boldró. Confesso jamais ter
visto praias "sujas" táo limpas. Para conservá-las está sendo construída uma
estação de tratamento.
Os recursos devem ser utilizados de forma criteriosa, sem desperdícios. A
populaçáo convive com o racionamento e os visitantes devem se adequar à realidade. Um
rígido controle limita a imigração evitando um aumento acentuado na população fixa. O
número de acomodações (250), as dificuldades de acesso mantêm o número de visitantes
dentro da faixa aceitável.
O abastecimento de água depende da captação da chuva. Este é um dos limitadores
da presença humana pois a água é racionada, de acordo com os níveis do açude Xaréu.
A energia elétrica provém do petróleo e também sofre controle. Assim, não se iluda
com acomodações com ar condicionado e ventiladores pois boa parte do dia eles estarão
inativos.
Algumas empresas de turismo organizam cruzeiros que incluem Fernando de Noronha no
roteiro. São caros e impactam a ilha. O turismo em larga escala é uma ameaça. Criar
grandes hotéis prejudicaria a estrutura socioeconômica da ilha (boa parte da população
já vive do turismo) e comprometeria a qualidade do meio ambiente (falta de
infra-estrutura). Visitas de transatlânticos e grandes grupos de turistas devem ser
planejadas de forma bastante criteriosa para que não ocorram desequilíbrios. Devem ser
regradas pelos interesses da ilha.
História
A história do arquipélago é conturbada. Descoberto em 1500 por Américo
Vespúcio, em 1504 foi doada em forma de capitania hereditária a Fernando de Noronha,
nobre português.
Sofreu sucessivas invasões, passando por mãos holandesas, inglesas e
francesas, até que em 1737 os franceses foram expulsos pela capitania de Pernambuco.
Então, ergueram-se dez fortificaçõesdentre as quais o Forte dos Remédios
com o objetivo de garantir a posse das ilhas. Com o passar do tempo, o aparato militar foi
utilizado também como presídio comum e de prisioneiros políticos.
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Última atualização:01 de Agosto 2000